On Children’s Shoes

No último final de semana, nossos alunos participaram do batizado da Capoeira, ocasião em que cada aluno joga com um professor ou instrutor, para trocar de corda, cada corda tem uma cor diferente, que representam a evolução das habilidades dos capoeiristas.

Talvez nem todos saibam que temos uma turma de capoeira para adultos na Maple Bear. Pais e professores estão convidados a treinarem com o Professor Julio. E eu sou uma aluna assídua. Quando começou essa história de batizado eu simplesmente achei que não era comigo, mas o Julio começou a insistir para que eu participasse, e com a adesão das minhas colegas Cecis e Ana, me senti mais animada. Brincávamos durante as aulas que o Julio nos apresentaria como a turma dele de inclusão, já que apesar de já estarmos praticando há um ano, ainda somos iniciantes…

Enfim, chegou o dia e eu, que tenho por principio enfrentar os meus medos, estava pronta para participar, uniforme passado e lá fomos nós. Meu Joquinha fez uma apresentação linda, mostrando toda sua capoeira em alto estilo (separei um vídeo para mostrar pra vocês).

E quando ele acabou, minha família quis ir embora, pois o evento todo já estava longo e as crianças cansadas. A Cecis tinha um compromisso e também precisou sair mais cedo. Mas eu já estava lá e resolvi participar. Disse para o meu marido levar as crianças para comer alguma coisa e que eu logo encontraria com eles. Então subi no palco. Eu era a última de uma fila de adultos com corda crua, e os professores na roda me pedindo para cantar e bater palma. Acontece que eu não tenho a menor capacidade de fazer essas duas coisas ao mesmo tempo e na minha frente uma performance melhor  que a outra, tinha certeza que eu ia passar vergonha.

Me deu uma votante incontrolável de chorar, e eu só não sai correndo porque meu professor estava na minha frente me dizendo que conseguiria, eu não acreditava em mim, mas acreditava nele, porque ele é meu professor e conhece minhas habilidades e potencialidades. Criei coragem, enxuguei as duas lágrimas que eu não tinha conseguido segurar e joguei capoeira na frente do grande mestre Jelon, e de algumas famílias da escola que ainda resistiam bravamente. Não sei se fui bem, mas isso realmente não importa, importa que eu venci meu medo e fiz o que me propus a fazer com a ajuda de quem eu confio.

Literalmente me coloquei no lugar das crianças, e sim, esse tipo de apresentação é um desafio, para qual muitas vezes os pequenos ainda não estão prontos, e sair de lá com uma sensação de fracasso, não ensina nada a eles, cabe a nós o papel de mostrar a eles que não precisam participar se não estiverem prontos, e que nós acreditamos que eles são capazes de se superar e aprender a cada dificuldade.

Maria João

 

 

Um comentário em “On Children’s Shoes

  1. Eh verdade Bo. Apesar de não praticar capoeira foi um aprendizado para mim ver quão capacitado meu filho eh. Simplesmente ele não estava a fim. Aprendi que o nosso melhor dia as vezes não eh o deles. Obrigada pelo apoio nesse dia.

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